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Axé, Odô



Eu não sou mais quem eu era. Cada pedaço que me compõe grita o mesmo. O que é bom, permanece. O que é ruim, foi embora. Abrir os olhos e perceber tanta mudança, primeiramente pode parecer milagre de tão instantâneo.

A caminhada em si foi grande. Penosa, posso adjetivar. 2016 foi um calvário. Calvário necessário. Para crescer é preciso perder algumas coisas. As conquistas não envolvem apenas ganhar algo, envolve perder também. 

Tudo foi uma loucura e ainda é. Quando me perdi total, meus amigos me reergueram e uma amiga em particular, apresentou-me um lugar que acalmou minha cabeça e trouxe paz para o meu coração. Apesar de ter uma relação complicada com Deus, entre acreditar ou não, sei que nunca andei só. Em todos os caminhos aos quais trilhei, um me acolheu do jeito que eu sou, aceitou que meu corpo não para, que meus pés pertencem ao chão e não a sapatos de salto, ensinou com paciência e humildade tudo aquilo que me custava a compreender. A umbanda resgatou uma parte que aprendi a negligenciar em mim: a falta de fé em mim, a autoaceitação.

O terreiro ao qual pertenço, reflete meu coração. A acolhida que recebi é a que tento passar para quem precisa. Hoje eu posso dizer que sou uma pessoa melhor, não que eu tenha sido uma pessoa ruim em outros tempos. Ao contrário. Quero dizer que sou uma pessoa melhor para mim. 

Axé, odô (Muito obrigada, axé)!

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