Pular para o conteúdo principal

Bastardas Inglórias

   

CHEERS

   O conhecimento, ao mesmo tempo que é encarado como uma dádiva também pode ser responsável pelo senso de humor mais apurado. Talvez seja amadurecimento combinado com o pensamento de Paulo Freire: Mudamos porque aprendemos. Se não existe mudança de pensamento e atitudes, não existe aprendizado. 

   Eu não sei em que ponto exatamente tudo mudou. Sei que as coisas começaram no momento que acatei a idéia sobre o tema do meu tcc: O olhar da mãe biológica- Sentimentos e luto da mãe que entrega o filho em adoção. Para falar disso, eu teria que adentrar primeiramente sobre a história da mulher. Sinceramente, isso não me encantava, não me apetecia, era um tema como qualquer outro. Não sei quando, só sei de quando eu percebi que me aprofundei mais do que o necessário sobre a história do ser feminino.

   Peguei-me lendo e escrevendo cada vez mais sobre a temática com ajuda de Beauvoir e Badinter. E tudo o que eu pensava, todas as minhas atitudes, passaram a ser vigiadas com mais cautela. Eu já não era a mesma. Diferente do feminismo misândrico, descobri a verdadeira essência desse movimento, comecei a analisar o que estava em minha volta e a cada passo que dou, encontro sim preconceitos, encontro brecadas, encontro homens cobrando com que eu tenha filhos e que eu já esteja casada

   Todo dia é uma luta para mostrar que eu não sou apenas o produto de uma sociedade alienada machista inconsciente. O feminismo não exige mais direito à mulher do que ao homem e nem deseja impor superioridade entre os sexo, não prega violência. É bem mais sutil e pacifista que isso: busca uma relação de pariedade entre o feminino e o masculino.

   Já fui vitima inúmeras vezes: fui encoxada no ônibus, não me deixaram manifestar meus pensamentos por ser mulher, falam que eu já deveria ter filhos e ser casada. Não só eu como quem está ao meu redor: minha mãe por ser separada, minha irmã por ser mulher não é promovida no emprego, a mulher que ainda é tida como propriedade do homem, a mulher que fala palavrão, que usa roupa curta, batom vermelho e que dá pra quem quiser. Todas de alguma forma são putas e indignas aos olhos do senso comum.

   Independente do que eu faça, do que minhas amigas e familiares façam, todas somos condenadas e execradas. Agora eu percebo, percebo na sutileza de cada olhar, de cada palavra e expressão corporal. O moralismo hipócrita se esconde e está impregnado em cada canto, interno ou externo em relação ao que eu sou. Está na música, está em artigos porcos escrito em revistas femininas, está lá não propriamente na religião, mas em que interpreta ela, em cada julgamento  de minha postura.

   Tudo me faz puta. É como se a prostituta fosse indigna de humanidade e piedade alheia, como se não tivesse algo bom, personalidade e direitos. O sexo ainda é tabu e por isso ainda somos"ofendidas" com adjetivos relacionados aos comportamentos sexuais. Não poderia discordar de Freud nesse momento: tudo se resume a sexo. 

   Se a nossa liberdade de pensamento e atitudes nos adjetivam de tal forma, sejamos todas prostitutas em busca dos nossos direitos e respeito. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Aqui faz eco de tão vazio

     beleesss... okay, ando sumida. Geralmente venho aqui por dois motivos:  Estou fodidíssima da silva sauro; Estou me aventurando em algo que é totalmente "WHAT?!"     BOM... estou aqui pelo motivo dois que possivelmente me leve ao motivo 01, mas de uma maneira nem tão fodida assim.      Sim, estou mudando novamente, mais uma vez, de novo, o meu caminho. Essas horas que a gente pode culpar o signo, né? Pois é. Geminiana, prazer. Tô me lançando em algo que daqui uns dois dias provavelmente estarei com as duas mãos na cabeça gritando: "Vinhado, o que eu fiz com a minha vida?" Então logo em seguida lembrarei de Sartre e o existencialismo e repetirei: "o homem é arquiteto do próprio caminho", "o homem está condenado à liberdade" e "arque com as consequências de suas escolhas". Neste exato momento eu fico imensamente grata de ter feito psicologia e me consolo com as linhas existencial-fenomenológica e cognitivo-comp...

Dia dos professores

  Boa parte da gaylere deve saber que leciono espanhol em um pré-vestibular e portanto, isso me faz uma professora. Querendo ou não. Mas entrar nesse caminho me fez tomar certos rumos quanto minha futura profissão: NUNCA DAREI AULAS . Professores já têm seu lugar reservado no paraíso porque essa vida não é FACIO , Marco Luque. Eu que só dou aulas no sábado já tenho certa facilidade de adquirir a Síndrome de Burnout. O que seria isso, Brito Jr? Simpres: é algo que queima de fora para dentro, estressante, que quando agravada, o sujeito tornar-se depressivo (causas exógenas), anti-social, etc. A incidência de casos é maior nos docentes e em pessoas que lidam com público… Então né negada… VOL MORRER . Professores, olha, vocês merecem o mês inteiro de comemorações. Quando eu digo que não é fácil é porque não é mesmo. Além de darmos aula, temos que: 1. Controlar seres sobrenaturais, mais conhecido popularmente na fauna brasileira como: CAPETCHENAS. 2. Aguentar sua própria a...

Querido diário... não... Diário... não... OLAR

Faz tempo que não escrevo aqui, né? E toda vez prometo voltar e em seguida sumo e só apareço, sei lá... 3 anos depois. Mas é aquela, junta falta de tempo e a preguiça mental e acabo desistindo de escrever. Mas bora lá, estou um pouco enferrujada, mas seguirei escrevendo com toda a cara-de-pau que me é característico enquanto isso o pau tá torando na CPI . Passei mais de um ano no Brasil desde que começou a pandemia. Bom, chegou a hora voltar. Eu me tremo inteira porque é mais uma mudança, a faculdade a qual estudo, fode a saúde mental e qualquer tempo livre que eu tenha, voltarei a Cochabamba em meio a terceira onda. Preciso me tranquilizar porque já fui vacinada com a primeira dose PFIZER MAMI  e que já sou uma pessoa adulta de 30 anos e tenho que dar conta da minha vida, mesmo que não sobretempo na minha carga horária pra fazer almoço ou fazer aquele cocozito esperto. Fumando todos os meus cigarros mentais. Vou me tranquilizar.