Caráter não depende de religião

by - segunda-feira, março 08, 2010



Olha, vou dizer uma coisa: SE TEM ALGO QUE ME DEIXA EMPUTECIDA É NEGO ME CONDENANDO POR EU SER ATÉIA. Sério, gente. Se nego escolheu acreditar em Deus, por que diabos eu não posso ter o direito de não acreditar? Cadê a porra do livre arbítrio? Eu não posso fazer minhas próprias escolhas? Por que tem gente preocupada com o que opto pra mim? Cara, se a divindade existir realmente, não sou eu quem vai para o inferno? Não sou eu quem vai estagiar de pomba-gira no núcleo da terra? Então, pra quê foder com minha paciência agora? MORRA!

Se vocês acham que gays, negros (é pretim sim, meu filho! Não venha abarcar processo não. Pois a diversidade étnica da minha família é grande.), deficientes físicos e coisas do gênero sofrem com preconceito, imaginem um ateu. É mais fácil a sociedade aceitar um assassino do que alguém totalmente descrente nesses aspectos religiosos. Assim como eu gosto de homem e outro gosta de mulher, eu escolho ser uma cética inútil e ele um evangelizador. Simples minha gente! O que tem de difícil nisso? De aceitar as pessoas como são?

Por que diabos eu tenho que moldar minhas crenças de acordo com a maioria das pessoas? Olha, eu penso e isso tem como consequência ter uma opinião e pouco me importo se ela segue o que a sociedade rotula ou não. DEFECO pra isso. Como é que eu vou acreditar em um Deus que prega o perdão, mas quando chega o dia do julgamento final ele me manda para o inferno? Cadê a coerência? Um pai perdoa o filho. Ele não, manda o filho que ele criou, educou e mimou para passar umas férias ilimitadas na companhia do cramulhão. Sabe, é como se fosse: Faça o que eu digo e não o que faço. Aham senta lá Cláudia. E de tanto pensar, a conclusão mais certeira que cheguei é que: o inferno não existe, beijos pra você que acredita. Estão vendo como me esforço para ter uma boa imagem no Pai da humanidade? Excluí o inferno e dei uma bondade divina a ele.

 Tem gente que nasce para acreditar ora por ser mais cômodo e não colocar a mente para funcionar, ora porque acredita mesmo. Agora, existem pessoas que não nasceram com tanta fé assim. Eu sou o último caso. E não, gente... não sou uma atéia orgulhosa. Quem convive diariamente comigo sabe que eu não gosto de discutir religião e nem coisas do gênero. Jamais condenei alguém por ser cristão. A escolha foi do cidadão, então por que cargas d'água eu tenho que interferir nela? Não sou aquele tipo que faz questão de bater no peito, desafiar o mundo e querer provar que esse Deus idealizado pela humanidade não existe. Ele pode existir sim, por que não? E por que ele poderia não ser real também? É uma incógnita. Não tenho preconceito com nenhuma religião. Ao contrário, se me chamarem, vou até ao candomblé mas tem que liberar a cachaça primeiro,beijos. Se eu estou traindo o movimento? De forma alguma. Porque eu sei o que sou e quem sou. Estou segura de minha opinião, mas isso não significa que eu tenha que fechar meus pensamentos e meu ver das coisas. O mundo é muito grande para essa linha de pensamento. Não quero conhecimento de um mundo limitado, onde só minhas ideias é que contam. Gosto do ilimitado, de poder ver diversidade para formar o meu parecer.

Eu vim do interior do estado. Lááá de CZS. É a segunda maior cidade do Acre, mas o pensar das pessoas ainda é muito pequeno. Fui criada em uma família católica, fiz eucaristia e crisma. Confesso que não gostava de nada. Ia à missa para rir do que as pessoas vestiam, de como se comportavam e coisas do gênero. Meu pai insistia em me levar para o 'bom' caminho, mas sempre uma dor de cabeça aparecia... sempre, não minto. Escapava de ver o padre falando e falando e zzzZZzz. Até que me mudei para a capital quando tinha 16 anos. Sabe, uma garota que estudava comigo tinha o mesmo pensamento que eu, mas diferente de mim, ela falava mesmo. Então foi com ela que aprendi a ficar tão desbocada. OBRIGADA, PAOLA! A partir desse momento, comecei a respirar aliviada, a me sentir mais a vontade com o universo e zzZzz

O foda de assumir o que você pensa realmente é o ideia limitada de muuuuuita gente. A sociedade rotula que ateu não presta, é malvado e todas essas baboseiras. Agora, nego cristão que tá na cadeia ou solto que mata, rouba, estupra e o carvalho a quatro,  a população ainda dá chance para o 'perdão'. Um médico que dá duro salvando vidas, atendo trocentrilhões de negada todos os dias, aguenta o escambal, é taxado como ruim pelo fato exclusivo de não ser temente a Deus. Por favor, né? Parem de ser hipócritas! Religiosidade não define caráter de ninguém. Nunca. Respeitem o que eu sou realmente, não me julguem pelo ateísmo.

Surpreendo-me muito com os equívocos sobre a humanidade. Dizem que evangélico é mais fechado, são ignorantes e etc. O católico já é mais livre e aceita tudo numa boa. Olha, a maioria dos meus amigos são evangélicos e nunca me condenaram, nunca colocaram o dedo na minha cara para questionar meu modo de pensar. Nunca. A minha família que é católica, quase come meus rins por causa disso. Por que essa necessidade de me convencer que eu tenho que acreditar em Deus? Eu não estou errada em não crer, mas quem crê também não está errado em acreditar. Segue dois diálogos em família:

-Porra, Sara essa tua descrença!! Minha filha reze... E SE ELE EXISTIR?
- E SE ELE NÃO EXISTIR?

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-Não, eu sou atéia.
- A maior besteira que você já falou. - Disse o mala do meu primo.
- CAGO pro que tu pensa. Não condeno ninguém por acreditar em Deus. Eu sou o que sou e não é o fato de ser cética que vai fazer minha personalidade mudar.
-Na bíblia não fala nada sobre ateu. - No auge da burrice, falou ele.
-hahahahahahahahahhahaahah... Idiota. Pensa no que tu falou. Não sou obrigada a concordar com o que todos pensam.

Eu posso com uma coisa dessas? Olha, que fique claro que eu não estou criticando a fé de vocês, mas sim exigindo o respeito que eu mereço. Então, people, meu recado está dado.

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